08 abril 2015

Exposição: Geraldo de Barros e a fotografia

Desenvolvida em parceria com o Instituto Moreira Salles, a exposição resgata aspectos históricos e o caráter experimental da obra fotográfica do artista.


Resultado de parceria entre o Instituto Moreira Salles e o Sesc São Paulo, o projeto Geraldo de Barros e a fotografia envolve livro e exposição homônimos que abordam a relação de um dos mais importantes artistas do movimento concretista brasileiro, o fotógrafo, designer e pintor brasileiro Geraldo de Barros (1923-1998). Heloisa Espada assina a curadoria da exposição e a organização do volume, que será lançado na abertura da exposição.

O livro e a exposição de Geraldo de Barros estão organizados em três núcleos que correspondem aos momentos-chave em que o artista trabalhou de forma direta ou indireta com a imagem fotográfica. A curadora Heloisa Espada fala um pouco sobre os três núcleos da exposição e o que o público irá encontrar por lá. Dividiremos aqui por núcleos pra ajudar você a se localizar quando visitar a exposição.

O primeiro núcleo diz respeito à relação controversa de Barros com o Foto Cine Clube Bandeirante (considerado o principal berço da fotografia moderna no Brasil) e à sua primeira exposição fotográfica, Fotoformas, realizada no MASP em 1951. A primeira sala da exposição no Sesc Belenzinho traz documentos fotográficos, notícias e críticas da época, lado a lado às diversas experimentações fotográficas produzidas por Barros. Para que o público possa compreender o processo criativo do artista, também são expostos exemplos de negativos riscados, bem como folhas de contatos originais que evidenciam as diferentes formas de intervenção feitas na fotografia.


“A exposição começa com o foco na exposição que ele fez com um caráter histórico. Acredita-se que esta exposição de 1951, seja a segunda exposição de fotografia num museu brasileiro, nesse momento que foram criados esses museus de arte final dos anos 40.  Eu quis destacar essa exposição para o público ver logo que o Geraldo apresentou suas fotografias de um jeito muito diferente. Como objetos, coladas, em  suportes como se fossem pequenas esculturas, ou compondo num painel vazado com áreas em preto. A  fotografia compondo com suporte que ficava suspenso num cano que havia sido projetado pela Lina Bo Bardi pra essa sala de pequenas exposições temporárias do MASP. Então ali tem muitos dados sobre  como a fotografia se apresentou no museu nesse início dos anos 50 no Brasil. Eu acho que a gente se aproxima do modo do artista pensar a obra no momento em que ela  foi feita.

Nesse primeiro núcleo também, o público vai se deparar com a fotografia sempre ao lado da gravura e do desenho e um pouco da pintura do Geraldo, pra gente ver que no fundo ele fotografou aquilo que ele estava pintando, ele passou a fotografar aquilo que já era objeto de interesse dele através da pintura. Tem uma foto que eu gosto muito, que é um dos destaques da exposição que é uma foto que ele fez num ateliê de pintura, um dos primeiros que ele frequentou, onde aparece a sombra dos pincéis e os instrumentos de pintura e gravura. Quer dizer, é  a fotografia como uma sombra, ou a consequência da atividade dele como pintor”.

Pinturas e Pop Art


O segundo núcleo oferece uma abordagem pioneira da relação de Barros com a fotografia por meio da pintura, dedicando-se às pinturas desenvolvidas pelo artista sobre fragmentos de outdoors publicitários nos anos 1960 e 1970, quando ele se apropriou de imagens fotográficas para destacar o aspecto grotesco e invasivo da propaganda e explicitar uma atitude irônica e sarcástica diante da cultura de massa.

“Neste núcleo, as pessoas vão ver pinturas pops enormes. É a primeira vez que a gente reúne desde os anos 70, uma sala com essas pinturas pops, que represente bem este período do Geraldo que é um período que tem sido pouco visto da carreira dele”, complementa Heloisa Espada.

Sobras e os últimos anos de Geraldo


O terceiro núcleo concentra-se na inédita série Sobras, produzida durante os dois últimos anos da vida de Geraldo de Barros, quando ele se encontrava parcialmente paralisado devido a uma série de isquemias cerebrais que vinha sofrendo desde os anos 1970. Após anos afastado da fotografia, Barros debruçou-se sobre seu arquivo de fotos de família e, com a ajuda da assistente Ana Moraes, cortou, riscou e montou pequenos fragmentos de negativos 35 mm sobre placas de vidros, resultando na obra mais intimista de sua carreira.

 “Esse núcleo mostra a liberdade total e desprendimento de qualquer regra, qualquer tipo de formato do que pudesse ser arte. Aí de fato ele tem uma liberdade grande para colar, montar. Mas o que é mais forte neste núcleo das sobras, é o fato de ser a primeira vez que nós que conseguimos ver o conjunto quase completo de 247 colagens para produzir as sobras. Colagens super delicadas, feitas sobre plaquinhas de vidro, super artesanal que ele fez num momento que já estava doente, perdeu sua habilidade manual e fez com a ajuda de sua assistente”, conclui.

Sesc em Obras: Geraldo de Barros

A linha de produtos Sesc em Obras, composta de produtos criados a partir do acervo de arte brasileira do Sesc em São Paulo e disponível somente nas Lojas Sesc das unidades, ganha novos itens produzidos a partir do emblemático logotipo criado por Barros para identificar seu trabalho como designer e serão lançados no dia da abertura da exposição.

Heloisa Espada
Coordenadora da área de artes visuais do Instituto Moreira Salles, possui graduação em Educação Artística (1997) pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Mestrado (2006) e Doutorado (2011) em História, Teoria e Crítica da Arte pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Em 2007 e 2008, foi pesquisadora do projeto Documents of 20th Century Latin America and Latino Art, um convênio entre o Museum of Fine Arts, Houston, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. É membro do grupo de estudos do Centro de Pesquisa Arte & Fotografia da ECA/USP desde 2004. Atua nas áreas de história da arte, crítica e curadoria, com ênfase nos campos da arte moderna e do pós-guerra no Brasil.


Fonte: Sesc- São Paulo

Exposição Geraldo de Barros e a Fotografia
8 de abril a 31 de maio - De terça a sábado das 10h às 21h | Domingo das 10h às 19h30
Sesc Belenzinho | Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho | 11 2076-9700
ingressos: Grátis. 


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