07 abril 2016

Exposição: Perfume de sonho - Uma viagem ao mundo do café.

Exposição traz fotografias de Sebastião Salgado à São Paulo.
 

Quando o então economista Sebastião Salgado cursava pós-graduação em Paris e sua tese versava sobre questões ligadas ao café, ainda antes de terminá-la, já trabalhava na Organização Internacional do Café, em Londres. Em sua função na OIC, visitava o cultivo da planta em países como Ruanda, Burundi, Congo e Uganda. Foi nestas viagens que, em 1973, com uma câmera emprestada, começou a fotografar - e mudou de profissão. Mas a sua história com o fruto é ainda mais antiga, remonta a infância em Aimorés (Minas Gerais), quando, dos 7 aos 14 anos, ajudava seu pai na secagem de grãos e na costura de sacos.

Esta misteriosa e atávica afinidade de Salgado com o café, sua fiel reverência aos trabalhadores e à paisagem circundante estão impressos nesta exposição “Perfume de Sonho”, com curadoria de Lélia Wanick Salgado. São 80 obras realizadas de 2002 a 2014, em plantações cafeeiras de 10 países percorridos pelo fotógrafo: Brasil, Índia, Indonésia, Etiópia, Guatemala, Colômbia, China, Costa Rica, El Salvador e Tanzânia.


Salgado começou a trabalhar nesta série em 2002, nos Estados vizinhos de Minas Gerais e Espírito Santo, onde a primeira parada foi em Manhuaçu, local em que seu pai tinha transportado café muitas décadas atrás. Segundo o fotógrafo, o que mais o surpreendeu neste trabalho foram as semelhanças nas vidas dos produtores de café nos diferentes continentes. Salgado destaca que, em algumas propriedades, as máquinas ocuparam o espaço dedicado a certas etapas do processo agrícola, mas a grande maioria da produção continua sendo feita por pequenos proprietários que colhem os grãos à mão, e cujas esposas e filhos ajudam a secá-los e ainda muitas vezes são as mulas que carregam o café até os compradores. Ressalta o fotógrafo que, às vezes, só mesmo a roupa usada pelos colhedores ajuda a situá-los geograficamente.

“O café é o ganha-pão de aproximadamente 25 milhões de pessoas em 42 países. E foi para estas pessoas, donos de pequenas propriedades e trabalhadores de grandes plantações, que dediquei minha atenção fotografando-os na América Latina, na África e na Ásia. Para estes trabalhadores café e vida são coisas inseparáveis. E tem sido assim há séculos, ao longo de gerações. O café define as estações do ano, o ritmo do trabalho, sua renda, seu bem-estar” - Sebastião Salgado.


Com fotos em preto e branco de Sebastião Salgado, a illycaffè chamou a atenção do público para a vida e o trabalho dos produtores e para a beleza dos países onde compra seus cafés. A viagem de Salgado começou em 2002, quando a illycaffè conheceu o celebre fotógrafo brasileiro com o qual compartilhava os mesmos valores: desenvolvimento sustentável, o princípio fundamental pelo qual a empresa, sediada em Trieste, é capaz de manter a sua qualidade suprema. Todas as imagens expressivas, evocativas e emocionais criadas por Salgado foram apresentadas em Veneza (Itália) em 2015.

A empresa desenvolve projetos culturais tanto para a produção quanto para a difusão da arte contemporânea ao apoiar artistas, instituições e mostras internacionais. Entre estas colaborações figuram nomes como Marina Abramovic, Jannis Kounellis, Daniel Buren, Louise Bourgeois, Jeff Koons, Robert Rauschenberg, Joseph Kosuth, Michelangelo Pistoletto, Jan Fabre, Sandro Chia, and James Rosenquist.


Onde: Instituto Tomie Ohtake
Av.Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros - São Paulo - SP
Quando: 07 de abril de 2016 até 08 de maio de 2016

Fonte: Instituto Tomie Ohtake


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