06 maio 2013

Fotografia Fine Art e o poder do discurso do artista.

Uma reflexão sobre a "Fotografia Fine Art".

Fórum Fine Art Inside foi um dos destaque da Feira Fotografar 2013.
Durante a 7ª edição da feira Fotografar 2013, aconteceu o  Fórum Fine Art Inside, que foi um dos grandes destaques desta edição do evento, o fórum trouxe à tona interessantes discussões de um mercado que vem crescendo e atraindo grande interesse, tando do publico consumidor como dos fotógrafos.

Após assistir ao Fórum, nosso amigo Sebá Neto refletiu sobre o tema e compartilha conosco suas reflexões:

"Fotografia Fine Art e o poder do discurso do artista.

               É indubitável o critério que se firmou no decorrer dos séculos, onde os seres  que se tornaram verdadeiramente relevantes para como os membros de sua sociedade foram aqueles que por vezes não se esquivaram na busca de conhecimento.

               Em abril deste ano precisamente nos dias 16-18 acorreu em São Paulo o Fórum Fine Art Insid na Feira Fotografar, no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca, onde foram abordados vários questionamentos do fazer fotográfico neste contexto artístico. Falou-se inicialmente da fixação dessa imagem, o processo de fabricação de papel a preocupação com a qualidade, a composição onde se caracteriza, pela excelência da matéria prima empregada como polpa de madeira de qualidade, fibra de algodão e qualidade da água que é a mesma utilizada na fabricação da cerveja. Constantemente é verificado a maciez do papel, o Ph neutro,o índice de absorção da tinta, a customização do perfil de cor. Foi questionado o termo limitador da imagem o "Fine Art" e falando também do termo  que sempre foi empregado  e que parece ser recente, o "Vintage", foi que as discussões se seguiram.

               Existe uma demanda não acertada neste novo mercado da fotografia. Procurou-se dimensionar aqui uma certa visão deste mercado. Sabemos que o Brasil se encontra numa situação emergente, onde os principais eventos esportivos estão às portas e cada vez mais empresas voltam-se interessadas no Brasil. Na fotografia não é diferente, e nesta segmentação do "fine Art" existe uma infinidade de ideias que podem ser exploradas pelas mentes criativas dos fotógrafos. Irei tentar pontuar algo que nunca foi dimensionado talvez até aquele momento.

               No fórum surgiram certos comentários de que fotógrafos com anos de carreiras chegaram a se posicionar e afirmar que nunca foram recebidos com bons olhos por parte de galeristas. Afirmação que gera uma reflexão: se isto vem ocorrendo ora por uma questão da falta de um correto posicionamento por parte do fotógrafo perante tais galeristas ou mesmo pela certa elitização deste negócio.

               O cenário talvez esteja mudando, onde ocorre talvez uma mudança de posicionamento ou percepção mercadológica desse campo onde o principal objeto ou critério por parte dos galeristas para a aceitação do artista seja talvez o poder do seu discurso, o quão influenciável ele é, ou seja, o seu feeling para identificar e perceber se o perfil da galeria que queira ter o seu trabalho representado ali, é parecido com você e tentar dimensionar isso maximizando os seus resultados. Em suma, podemos dizer que ninguém vai a lugar nenhum sem conhecimento e um dos fatores que verdadeiramente conta para o galerista hoje é o conhecimento, é a dominação para defender o seu trabalho. Você pode viajar para Capadócia, fazer belas imagens, ter todo um material excelente, mas para a vasta maioria dos galerista percebe-se que se requer um embasamento, ou como diria uma professora minha de marketing: "tudo o que se faz, você tem que usar um baseado", não necessariamente usar no sentido restrito de uma droga, mas usar de documentação para se basear ou ter um embasamento teórico ou científico que se requer para dar credibilidade ao trabalho. Em primeiro lugar o fotógrafo que se considera artista ou que seja artista e queira ter uma certa visibilidade, segundo os critérios apresentados terá que em primeira instância estudar constantemente. Buscar desenvolver uma linguagem fotográfica identificável, sua assinatura e procurar sem sobra de dúvida, ao estabelecer um contato com o galerista  apresentar um trabalho documentado, que tenha um respaldo favorável para o seu trabalho. O artista terá que ser incansável de conhecimentos, terá que constantemente  visitar exposições, galerias, feiras, e participando ativamente nos melhores concursos de fotografia. Citando talvez o último grande filosofo do inicio da era moderna, Immanuel Kant,  que  declarou certa vez: "Genialidade é esforço", ou seja, o fotógrafo artista que não se esforça dificilmente irá atingir um grau considerável de excelência.

               No desenrolar dos questionamentos foi pontuado a questão tão controversa da tiragem e o cuidado ou controle que se deve ter. Fazer ou não fazer  um trabalho por tiragem e como isso pode ser um indicador de preço da obra. Além dos métodos modernos de impressão ou fixação como papel algodão, metacrilato, falou-se das formas corretas de preservação, a preocupação com o material utilizado na moldura, a qualidade do paspatur, o vidro antirreflexo, pois o ozônio e a luz ultra violeta podem deteriorar a obra e o selo que garante a autenticidade da obra certificada pelo impressor junto ao fabricante do papel, sem mencionar a aplicação danosa de adesivo na montagem no moldureiro, onde esse adesivo irá oxidar a fotografia e esse óxido seria o mesmo que derramar água sanitária na fotografia, são questões que devem ser analisadas com cuidado quando o assunto é qualidade e durabilidade.

               Muitos não acreditam, ou não tem honestamente como dimensionar a durabilidade da obra, mas todos foram unanimes em sustentar que tais adequações são cuidados imprescindíveis para a preservação. Não temos nenhum Henri-Cartier-Bresson moderno no Brasil, corrijam-se se estiver equivocado, embora sabendo da boa leva de profissionais que temos e que realizam excelentes trabalhos, ainda assim estamos constantemente em construção.

               É um segmento que tem uma demanda sempre crescente, sem mencionar que atualmente o cenário está voltado para a classe A Premium, existe uma necessidade muito grande de uma demanda por obras por parte da classe B, que não tem uma expressividade de poder aquisitivo para adquirir obras que custam em torno de 20 a 40 mil. Em contra partida, há uma classe de artistas excelentes do outro lado do jogo, que não conseguiram ainda um espaço significativo para divulgar o seu trabalho e assim atingir esta demanda carente de pessoas que, por muitas vezes, querem ter uma imagem de qualidade em suas casas por uma questão de design ou vaidade. É urgente a necessidade de casar este dois públicos tanto quem oferta como aquele que procura. Como fazer isso? É cedo ainda, algo muito questionável, mas é possível, não poderemos mensurar como isso se dará mas o indivíduo que conseguir ter esta percepção e traçar uma estratégia que lhe seja favorável terá com certeza uma grande projeção neste mercado.

                O ponto de partida, sem dúvida, é buscar cada vez mais conhecimento e se inteirar no que esta acontecendo ao redor e como isso pode contribuir, ou não, para o seu trabalho. Podemos citar um exemplo bem nítido das tendências de moda que influi diretamente no trabalho. Um exemplo bem claro é a questão de um conceito de moda que evoca algo como as caveirinhas, empregadas no vestuário e calçados, se expandido para outras áreas como é o caso, talvez você não perceba a relação mas pra mim é significativo, temas próximos como trabalhos de artistas que vão buscar inspiração em temáticas como o terror, que tem toda essa questão das caveiras, o trabalho em cima de questões pouco ou nunca abordadas como o suicídio que indiretamente talvez remeta a caveira que por sua vez nos leva ao conceito de fim ou morte.

               Pra finaliza percebo que pode haver esta aproximação ambivalente ou não com as   tendências ou pura coincidência momentânea, mas é interessante fazer estas constatações e perceber como por exemplo o ensaio "Os deixados para trás" de Kerry Payne, publicado na revista Photo Magazine edição 46, e o ensaio de André Penteado, com o trabalho "O Suicídio do Meu Pai", ganhador do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2012/2013. Talvez seja uma mera coincidência, mas estes temas recorrentes parecem estar no auge das discussões.
Foto: Kerry Payne.

O Suicídio de Meu Pai. Foto: André Penteado.

              A minha opinião em vista do que percebi é que o artista terá que ser autocrítico e se perguntar constantemente o quão funcional é o seu trabalho. Por exemplo, as vezes ao fazer uma visita a uma exposição ele não goste das imagens expostas e comesse a indagar que talvez o seu trabalho esteja melhor do que o representado ali. Mas na maioria dos casos, provavelmente ele não para e verifica qual o objetivo e o critério empregado. Ele terá que estabelecer critérios e seguir a risca um conceito ou quadro que queira abstrair, construir ou representar e procurar sempre construir simultaneamente um embasamento científico do seu projeto."


Por Sebá Neto,  formado em Produção Audiovisual pela Universidade Paulista e atualmente estudante de Marketing na Etec Parque da Juventude




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